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SPFW – Verão 2016, segundo dia

No SPFW – Verão 2016, segundo dia compartilharei o que teve de melhor nas passarelas de terça-feira, dia 14/04.

10:00 – Paula Raia

DIREÇÃO CRIATIVA: Paula Raia. STYLING: Mauricio Ianes. BELEZA: Ricardo dos Anjos. TRILHA: Max Blum. DIREÇÃO DE DESFILE: Augusto Mariotti

1Paula apresenta sua coleção somente no verão, uma vez por ano. Bem diferente do ritmo alucinante da indústria. O interessante é que ela escolheu um timing próprio de trabalho e nos obrigada a entrar no seu ritmo. Com ela o tempo passa devagar, vimos 24 looks no tempo em que veríamos 44 fosse este o desfile de uma marca maior.

Aqui, não há um look de transição, uma ponte entre uma série e outra. Cada um é único e essencial para a coleção.

E se Paula é slow fashion, assim também é sua roupa e o caminhar das modelos. A roupa comunica tranquilidade e  zelo, como o processo de desenvolvimento que está em cada pedaço de tecido. A coleção é inteira em tom cru, ou seja, nenhum material foi exposto a nenhuma espécie de processo químico.

Para a gente fica óbvio que Paula está, de fato, entendendo tudo com cada vez mais clareza: as formas que usa, como as constrói, o processo mais humano, como ela escolhe contar sua história e, ainda, como escolhe nos envolver em tudo isso. Na sua imaginação, uma profetiza de longos cabelos sai do mar. Assim, as modelos têm longas tranças feitas de mega e um olhar calmo e seguro. A coleção chega ao ápice do trabalho com texturas, que é o que Paula mais gosta de fazer. Há referências a esponjas, anêmonas, estruturas rochosas, tudo feito com a mão. Os looks são pontuados por peças em faixas inspiradas no shibari, uma espécie de bandage em japonês. O desfile aconteceu, mais uma vez, em sua casa, que ela abre para receber poucos convidados.

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11:30 – Osklen

DIREÇÃO CRIATIVA: Oskar Metsavaht. DIREÇÃO DE ESTILO: Juliana Suassuna. STYLING: Pedro Sales. BELEZA: Silvio George. TRILHA:Gomus.

INSPIRAÇÃO: Tribo Ashaninka

MATERIAIS: Seda, linho, organza de seda e moletom.

E-FABRICS: Seda rústica, seda pet, palha de seda tribal, seda stretch, malha pet, tricô reciclado, pirarucu e salmão.

Untitled-2A cultura indígena sempre foi muito rica e nesta terça, a Osklen mostrou seu olhar sobre os índios Ashaninka, também do Acre, que diferem de outros povos indígenas por usarem vestimentas. Quando Oskar encontrou com o cacique e ele usava um poncho cru e preto e um majestoso cocar vermelho, ele sabia que ali estavam a inspiração e as cores de sua coleção. Faz tempo que a Osklen mantém uma conexão com essa tribo e sua equipe teve o cuidado de não se apropriar de seus elementos. Tudo o que vemos são releituras que reverenciam a tribo, criadas de um modo que se encaixa no universo da marca.

As mulheres usam um shape reto com a gola arredondada, o que traduz as formas mais quadradas da coleção. A tanga, um pedaço de pano que cobre a parte da frente e a de trás, mas fica aberta nas laterais, pontua a coleção e traz um efeito de layer na construção dos looks. Além do design de ponta, outro ponto alto é a manipulação dos tecidos e texturas. Aqui tudo é 100% seda e há uma experiência em misturar a seda com o elastano. O acabamento é primoroso e mantém a Osklen no topo em termos de concepção, produção e realização. Da ideia ao resultado final, a marca é bem sucedida.

“Eles falam muito de coletivo, de que juntos são um indivíduo só, é muito bonito”. Para dar essa ideia, ao final do desfile, as modelos se aglomeram em um círculo fechado, criando uma imagem de moda bem bonita.

1Os adornos que os índios usam e que servem de amuletos também são representados por acessórios, como as borrachinhas nos braços e pernas, as franjas de seda em bolsas e sandálias.

15:00 – Ellus

DIREÇÃO CRIATIVA: Adriana Bozon. ESTILO: Rodolfo Souza e equipe (Maya Komatsu e Jennifer Ramos). STYLING: Michael Vendola. BELEZA: Robert Estevão. TRILHA SONORA: Nick Graham-Smith. DIREÇÃO DE DESFILE: Roberta Marzolla – Cúpula Produções. CENOGRAFIA: Guilherme Ávila.

INSPIRAÇÃO: Marrocos.

MATERIAIS: Jeans, seda, tapeçaria, renda guipure metalizada, renda com fio de lurex, náilon transparente.

Untitled-2Muito ouro, prata e areia. O humor até aparece em algumas peças tipo camiseta e sacola estilo souvenir. Para driblar referências literais, Adriana Bozon e Rodolfo Souza fizeram um mix de acessórios não inspirados, mas de fato trazidos da viagem que fizeram para o Marrocos com reinterpretações da túnica e do lenço oriental, aliadas ao jeanswear característico da Ellus com pegada safári e toque esportivo. O resultado é “uma mulher turista, que leva sua bolsa de câmera pela viagem”, define Rodolfo. Uma turista fashionista, claro.

1Do Marrocos vieram as bolsas peludas feitas a partir de tapetes marroquinos, encomendadas pela dupla a artesãos locais. Em série limitada, será vendida em três lojas da marca no próximo verão 2016. Pulseiras e colares berberes (povo que vive em várias partes da África, incluindo o Marrocos, com língua e cultura próprias) também foram trazidos para o desfile. No quesito “releituras” surge a estampa batizada de Marrakesh e que faz uma mistura de três elementos muito característicos marroquinos: o mosaico, a textura da tapeçaria e os florais orientais. O resultado é um quadriculado com efeito manchado com as flores sobrepostas, numa referência que passa longe dos arabescos assimétricos mais conhecidos da cultura. Nas caudas de seda que saem da parte de trás das calças, assim como nas amarrações dos tops de alcinha e do decote do bonito vestido longo de mangas cinza, percebe-se a referência aos lenços usados pelas muçulmanas, assim como aos turbantes, no que diz respeito às torções e amarrações.

Geralmente leve, com calças molengas e vestidos de seda, pontuada pelo brilho vibrante dos vestidos de lamê e lurex prateado e de renda guipure dourada, a coleção traz na parte mais encorpada bons looks. É o caso das peças em cru com faixas de tapeçaria, acompanhadas de guizos e paetês em prata velha, além dos ótimos jeans de cintura alta e das jaquetas com vários bolsos. A passarela merece destaque à parte: de areia, trazia mosaicos coloridos desenhados, um trabalho que levou 12 horas para ser realizado.

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16:00 – Água de Coco por Liana Thomaz

DIREÇÃO GERAL: Liana Thomaz. STYLIST: Daniel Ueda. BELEZA: Rodrigo Costa. DIREÇÃO DE DESFILE:Zee Nunes. TRILHA:Zé Pedro.

INSPIRAÇÃO:O livro “Mãos que Fazem História”, das jornalistas Cristina Pioner e Germana Cabral.

MATERIAIS: Rendas, Lycra, seda pura e linho.

Uma ode a renda em suas mais variadas técnicas faz desta uma coleção especial e que valoriza o lindo artesanato local. Bordado richilieu, renda bilro, renascença, filé, labirinto aparecem misturadas às peças da coleção em linho, seda e Lycra. O mais interessante é como a renda é aplicada nos maiôs e biquínis, que normalmente são produzidos e modelados em materiais bem específicos. O maiô que abre o desfile, em Isabeli Fontana, traz mangas amplas rendadas e vazadas. As rendas podem também aparecer de formas mais ousadas, como em recortes aplicados na barriga (look 6) ou em detalhes na parte de cima do biquíni (look 13). Há uma grande variação de modelos, cores, estampas e também da maneira como inserir a renda nas peças. Uma coleção de mão cheia para a moda praia. Não podendo deixar de citar que a moda praia, a cada ano que passa, ela tem deixado de ser exclusividade da praia e vem ganhando as ruas, maiôs viram bodys e saídas viram looks fantásticos.

Untitled-11 2 3 Make: algo simples mas, glamouroso, batom nude e olho com sombra cobre metálica e cabelo com um coque deixando a peça a verdadeira estrela do desfile.aguadecoco-spfw-verao2016-47-654x983

17:15 – Lilly Sarti

DIREÇÃO CRIATIVA: Lilly Sarti. STYLING: Renata Corrêa. BELEZA: Daniel Hernandez (CAPA MGT). TRILHA SONORA: Max Blum. DIREÇÃO DE DESFILE: SD Management.

INSPIRAÇÃO: Anos 70, a liberdade das mulheres da década, como Jacqueline Bisset e Charlotte Rampling e o trabalho dos fotógrafos Helmut Newton, Gosta Peterson e Watanabi Katsumi.

MATERIAIS: Camurça, jacquard de seda, chiffon de seda, jeans e tule devoré.

Os anos 70 classy, com brilhos de jacquards e referências exóticas (para a época, claro) do orientalismo japonês inspiraram o verão 2016 da Lilly Sarti. Parte do DNA da marca, o perfume da década apareceu com notas diferentes graças ao japonismo em detalhes de golas e mangas, no blazer entre quimono e pegnoir, no conjunto de calça curta e túnica verde musgo, com um dos jacquards orientais da coleção, lembrando leques.

Untitled-1Aliados aos bonitos jacquards de seda e devorês usados nas peças mais orientais, das calças tipo pijama aos tops com manga sino,  o chamois ganhou bonitos recortes a laser e também compôs looks inteiros.

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18:30 – Sacada

DIREÇÃO CRIATIVA: MINT. DIREÇÃO DE ESTILO: Priscilla Darolt. STYLING: Luis Fiod. BELEZA: Henrique Martins. TRILHA SONORA: Hugo Frasa.

INSPIRAÇÕES: Balneário vintage, futurismo retrô, pop art, op art.

MATERIAIS: Malha de algodão, piquê, tricô, seda devorê, acrílico transparente, verniz.

É uma carioca intelectual, a garota/mulher da Sacada por Priscilla Darolt. Sabe achar graça no efeito reticulado dos quadradinhos estampados em seus tops, vestidos e calças pantalonas curtas, porque a fazem lembrar da mesma técnica usada por Roy Lichenstein, artista pop que conhece bem. Gosta das pinceladas de tinta na roupa, como se estivesse carregando uma tela recém-pintada e inacabada. Se fosse só isso, não teria graça suficiente, mas tem mais. Além de referências artísticas, a coleção também flerta com a sensualidade nas peças com recorte de bustiê, ombros à mostra, corpo delineado nos tricôs para os momentos em que, além de pensar, se quer seduzir.

Untitled-1Na segunda coleção para a grife, Priscilla continua seu exercício de recortes nas roupas, com os frisos criam um efeito de esboço de desenho interessante. Com apreço por combinações de tons marcantes, como o marinho com o vermelho, a estilista tem seus melhores momentos nos modelos em que a suavidade impera, deixando que sua precisão de design apareça em detalhes deliciosos como bolsos, alças e caimentos. Destaque para os macacões, vestidos longos e pantalonas curtas.

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19:45 – Juliana Jabour

DIREÇÃO CRIATIVA: Juliana Jabour. EQUIPE DE ESTILO: Fábio Lima Malheiros e Carol Borges. STYLING: Daniel Ueda. BELEZA: Henrique Martins (Capa MGT). TRILHA SONORA: Rodolfo Tavares e Daniel Tamenpi (SOUNDPROOF). DIREÇÃO DE DESFILE: As Meninas Produções – Julia Morelli e Barbara Bicudo.

INSPIRAÇÃO: Os anos 70 do fotógrafo britânico David Hamilton.

MATERIAIS: Renda guipure, viscose creponada, georgette de seda, crepe de chine, alfaiataria fluida, alfaiataria bordada e tricô.

Um perfume bem leve do movimento de 70 na silhueta solta dos longos vestidos, ponto alto do inverno da marca. Eles vinham com detalhes de renda guipure ora no decote, ora na barra, como a peça em tom suave mas não apagado de azul, ou em versões plissadas, caso do modelo bicolor ferrugem e branco.

1O tecido plano, usado pela primeira vez em toda a coleção foi pouco estampado, outro recurso que garantiu um equilíbrio de cores que evocava o trabalho do fotógrafo britânico David Hamilton, que ficou famoso nos anos 70 por seus retratos de jovens mulheres nuas ou seminuas em imagens de tons suaves, quase oníricos. No caso do Verão 2016 da estilista, três prints foram usados: um gráfico miúdo preto e branco, outro com grafismos maiores feito em duas combinações de cores e um último de listras horizontais.

Untitled-1Os pontos de alfaiataria contribuíram para deixar a fluidez da coleção mais estruturada, embora ainda solta e confortável. Macacões e macaquinho e saias longe do corpo combinadas com tops idem completaram a gama de looks, dentro da qual faz parte a coleção cápsula que a estilista criou para a grife Lez a Lez, da qual recentemente foi nomeada diretora criativa.

2Make e cabelo:natural com um leve gloss e rabo baixo com dois fios soltos na frente, um de casa lado.juliana-jabour-spfw-verao2016-34-654x983

21:00 – Triya

DIREÇÃO CRIATIVA: Isabela Frugiuele. PRODUÇÃO EXECUTIVA: Bebel Fioravanti e Carla Franco Amaral. STYLING: Felipe Veloso. FILME: Tavinho Costa. TRILHA: Marco Frugiuele e Veronica Vacaro. BELEZA: Max Weber.

INSPIRAÇÃO: Sea of Love, uma história de amor entre o surfista e a sereia.

A Triya, uma das marcas de beachwear mais competentes da nova geração, contou a história do amor impossível entre a sereia e o surfista. Na passarela, ele era representado por um filme dos olhos marejados do ator Bruno Gagliasso ao som de “Sea of Love”, da Catpower. O conto se desdobra com referências aos dois personagens e seu encontro improvável; ele sobre as ondas; ela no fundo do mar.

Untitled-1A estampa da prancha que abre o desfile ganha um visual étnico pela maneira em que foi concebida e é a cara da Triya, colorida, vibrante e presente. Em outro momento, juntas em círculos, as pranchas compõem uma flor. Ideia simples e bem aplicada. A ousadia nesse look fica por conta de umas pequenas pranchinhas colocadas “lá” embaixo e o resultado é divertido, quase passa despercebido. Além do talento das meninas, é esse bom humor e a abertura para sair do quadrado que empresta vida para a Triya.

1Chama a atenção o manuseio dos materiais e como inovar nos tecidos usados na moda praia. Telados bordados nos maiôs criam um efeito gráfico e interessante. O neoprene ganha acabamento de canutilho, resultando em um momento bem glamouroso. Outro destaque é o uso de uma microfibra que parece Lycra, só que bem fininha, quase uma segunda pele. Um dos momentos mais bonitos é a série de azuis com a estampa que mostra o desencontro entre o surfista sobre as ondas e a sereia no fundo do mar. Diversas opções de modelagens, boas estampas, novas ideias e uma história bem contada constroem o verão da Triya.

2 triya-spfw-verao2016-37-654x983 E para quem quiser conhecer mais a fundo o trabalho dos estilistas só clicas nos nomes:

Paula RaiaOsklenEllus, Água de Coco por Liana ThomazLilly SartiSacadaJuliana JabourTriya

Espero que tenham gostado,

Beijinhos.

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